6º Ano - Povos Pré Colombianos
Impérios
Pré Colombianos
A História acadêmica esta focada em uma
visão Eurocêntrica, focando apenas nos grandes feitos realizados dentro do
Velho Continente, assim minimizando os grandes feitos já realizados até aqueles
povos que não estavam diretamente ligados aos povos que deram origem aos povos
gregos e romanos, a base de seu legado político e cultural, assim se tornando a
base do que se diz civilizado, desconsiderando as mais diversas manifestações
da presença humana em todo o globo.
Dentro do que foi debatido na atividade
anterior, os seres humanos chegaram à América no final da última “Era Glacial”, chegando pelo norte pelo
Estreito de Bering e Povo Navegantes que enfrentaram o Oceano Pacífico, sendo
estes povos os colonizadores de todo o continente, dando a base para os mais
diversos povos encontrados pelos Europeus que aqui chegaram, incluindo três
grandes civilizações, mesmo isoladas da Europa pelo Oceano Atlântico já
dominavam muitos atributos científicos e de estruturas como estradas, rede de
abastecimento água e coleta de esgoto.
Maias
Os maias foram um povo
pré-colombiano que habitou a região
da Mesoamérica (atual México, Guatemala, Belize,
etc.). Tiveram seu auge durante o período de 250 d.C. a 900 d.C, conhecido
como Período Clássico. Os maias são conhecidos por terem
tido uma das mais sofisticadas civilizações pré-colombianas. Além disso,
desenvolveram grandes cidades e tiveram conhecimentos avançados em áreas como a
Matemática. Após 900 d.C., os maias entraram em decadência, e suas cidades
esvaziaram-se.
Resumo
Os maias foram uma civilização pré-colombiana que se
desenvolveu na mesoamericana a partir de, aproximadamente, 1800 a.C. O auge da
civilização maia é conhecido como Período Clássico e aconteceu entre 250
d.C. e 900 d.C. Nesse
período, esse povo realizou um grande número de construções, e a população que
habitava a região alcançou seu pico.
Os maias ficaram muito conhecidos por possuírem
conhecimentos muito avançados em áreas como Astronomia e Matemática. No campo religioso, os maias eram politeístas, ou seja,
acreditavam em diversos deuses e tinham o sacrifício humano como uma prática
ritualística muito importante. Esses sacrifícios também tinham uma considerável
importância política para esse povo.
Politicamente, organizava-se em cidades-estados, o que
significa que os maias nunca formaram um império com fronteiras consolidadas. O
poder dos reis estendia-se, exclusivamente, sobre os domínios de suas cidades e
cidades-satélites, caso houvesse alguma. Sobreviviam da agricultura, e seu
principal alimento era o milho.
Localização
Os maias desenvolveram-se na região da Mesoamericana,
localizada na América Central em regiões que correspondem, atualmente, ao
México, Guatemala, El Salvador, Belize e Honduras. Em virtude de sua
localização, os maias são também conhecidos como povos mesoamericanos.
Politica
Os maias organizavam-se sob a forma de cidades-estados,
o que significa que cada cidade correspondia a uma entidade administrativa
autônoma, com governantes específicos para cada uma. Dessa forma, não
havia centralização política, o que fez com que essa civilização
nunca possuísse um império com fronteiras estabelecidas. Apesar disso, havia
uma zona específica sob a influência da cultura maia.
As cidades-estados maias realizavam comércio e mantinham
relações bélicas entre si. Assim, eram comuns guerras entre essas elas,
buscando impor domínio sobre as outras. De tempos em tempos, uma nova cidade
maia passava a exercer domínio sobre parte da região. Como exemplo, podem ser
mencionadas as cidades-estados de Tikal e Calakmul.
O rei, conhecido como ajaw, era a autoridade
máxima da cidade e era enxergado por seus súditos como uma manifestação dos
deuses. Seu poder era transmitido de maneira patrilinear, ou seja, a linhagem
real era paterna. Eventualmente, os reis maias poderiam ser mulheres. Isso
acontecia se o rei nomeado não tivesse idade suficiente ou caso estivesse
ausente, lutando em uma guerra, por exemplo.
Uma parte importante da cultura dos maias estava
relacionada com os sacrifícios humanos. Esses povos
acreditavam que o sangue humano era fundamental para o funcionamento do
Universo, logo, os sacrifícios eram uma forma de agradar aos deuses e de evitar
que o caos reinasse. Assim, o sacrifício humano tinha uma grande importância
religiosa.
O historiador Nicholas J. Saunders, no entanto, mostrou que
o sacrifício humano tinha também um papel muito relevante na política maia.
Como forma de obter prestígio social e político, os reis organizavam milícias
de guerreiros especializados em capturar governantes e pessoas influentes de
outras cidades para que fossem sacrificados|1|.
Podem ser destacadas algumas cidades-estados maias,
como Copán, Tikal, Palenque, Calakmul, Bonampak, Mayapán e Chichen Itzá.
Segundo alguns historiadores, Chichen Itzá era uma cidade híbrida que mesclava
a cultura maia e tolteca.
Sociedade e Cultura
A sociedade maia era hierarquizada, assim, existiam
diferentes grupos sociais, cada um com papéis e importâncias específicos na
sociedade. O maior grupo da sociedade maia eram os camponeses,
responsáveis pela agricultura e pela produção de alimentos. Havia ainda
uma nobreza, responsável por cargos relacionados à
administração das cidades-estado e pelo sacerdócio religioso. Por fim, havia
o rei, chamado de ajaw, que era autoridade
máxima de cada cidade.
Os maias acreditavam que o mundo funcionava de maneira
cíclica. Dessa forma, o fim de uma fase representava o início de outra fase
distinta. Possuíam um sistema de calendário duplo, no qual havia um calendário
solar e um calendário sagrado. O primeiro era conhecido como haab e
possuía 18 meses de 20 dias cada mais 5 dias, considerados dias de azar,
totalizando 365 dias.
O calendário religioso era conhecido como tzolkin. Nele
havia 20 semanas de 13 dias cada. A junção dos dois calendários criava um
período cíclico que se estendia durante 52 anos. Esse sistema de calendário
maia é bem semelhante ao sistema de calendário dos astecas. Em virtude desse complexo sistema de calendário, os maias
também possuíam amplos conhecimentos em Astronomia.
A arquitetura e a matemática dos
maias também são bastante famosas. A arquitetura foi responsável pelo
desenvolvimento de grandes construções em toda a mesoamericana, as quais se
destacam hoje como sítios arqueológicos, visitados por milhões de pessoas
anualmente. Já a matemática maia ficou conhecida por ser bastante sofisticada e
complexa, destacando-se o fato de conhecerem o número zero, um feito que
pouquíssimos povos conseguiram.
Religião
Os maias acreditavam em diversos deuses, portanto, sua
religião era politeísta. Esses povos acreditavam que seus deuses habitavam um
local chamado Tamoanchan, paraíso que fazia parte da
cosmovisão de vários povos da Mesoamérica. Acreditavam ainda que diferentes
locais da natureza eram sagrados e possuíam diversos espíritos. Cada cidade
maia possuía um deus específico.
Como mencionado, os maias acreditavam na importância dos
sacrifícios humanos, portanto, diversos sacrifícios eram realizados como forma
de manter os deuses satisfeitos e o Universo em funcionamento. Os sacrificados,
em geral, eram prisioneiros de guerra ou pessoas que se entregavam para serem
sacrificadas.
Esses rituais aconteciam com grande violência. As
principais formas utilizadas de sacrifício eram a decapitação e a retirada do
coração da pessoa enquanto estivesse viva. A prática religiosa dos maias também
possuía cultos de transe, que aconteciam a partir do consumo de um cigarro
narcótico e de bebidas alucinógenas. Esse tipo de ritual era restrito à elite.
Entre os diversos deuses maias, podem ser citados Itzamná,
deus criador do Universo; Kinich Ahau,
deus Sol; Chac, deus relacionado com a água; Bolon Tza’cab,
deus relacionado ao cetro; Ah Puch,
deus da morte; e Ix Chel, a senhora
do arco-íris.
Decadência dos Maias
Após o período de auge da civilização maia, iniciou-se sua
fase de decadência, conhecida como Período
Pós-Clássico. Os historiadores não sabem explicar especificamente o
que causou a decadência maia, mas são sugeridos alguns motivos, como: faltam de alimentos em virtude do esgotamento da
terra e da superpopulação, desastres naturais, doenças e ataques estrangeiros.
Independente dos motivos, os historiadores apontam que
determinados locais maias sofreram um severo esvaziamento populacional, com
grupos de pessoas mudando-se em massa para outras localidades da Mesoamérica.
Quando os europeus
chegaram à região no começo do século
XVI, esse processo de decadência maia ainda estava em curso.
Astecas
Os astecas foram uma das
principais civilizações
pré-colombianas (conjunto de povos
que habitavam o continente americano antes da chegada dos europeus) e viviam na
região da mesoamericana. A capital do Império Asteca – Tenochtitlán –
foi estabelecida no local onde hoje fica a Cidade do México, capital desse
país. Os astecas ficaram conhecidos por terem desenvolvido uma civilização
bastante sofisticada.
Resumo
Os astecas foram a principal civilização mesoamericana e
uma das principais civilizações pré-colombianas. Construíram sua capital em
meados do século XIV e tinham uma cultura rica, que herdou elementos de
diversos povos da Mesoamérica (região da América
Central que corresponde a países como México, Guatemala, El Salvador etc.),
tais como toltecas e maias. Sua sociedade era hierarquizada, cada qual possuindo seu
papel específico.
Após travar guerra contra os tepanecas, os astecas ganharam
força, conquistando cidades vizinhas e cobrando-lhes impostos. Sobreviviam da
agricultura, mas também realizavam comércio com outros povos e outras cidades.
Sua religião era politeísta e tinha no sacrifício humano um
ritual extremamente importante. Os astecas foram conquistados em 1521, após os
espanhóis – aliados com outros povos indígenas – terem conquistado a cidade de
Tenochtitlán.
Localização
A civilização asteca desenvolveu-se em uma região chamada
de mesoamericana, portanto, além de pré-colombianos, são chamados de povos
mesoamericanos. Os astecas instalaram-se precisamente na região
central do México conhecida como Vale do México.
A capital dos astecas, chamada de Tenochtitlán, foi
construída em uma ilha que ficava no lago Texcoco,
antigo lago que existia no Vale do México. O lago não existe mais, pois foi
aterrado pelos espanhóis ao longo da colonização espanhola.
Origens
Os astecas faziam parte dos povos mexicas, que
se estabeleceram na região do Vale do México por volta do século XIII. As
lendas afirmam que os astecas (mexicas) migraram de uma região lendária
chamada Aztlán (supostamente no norte ou noroeste do
México) até a região central do México conduzidos por Huitzilopochtli,
deus asteca conhecido por possuir uma serpente de fogo.
Um marco importante da história sobre as origens dos
astecas é a fundação de sua capital, a cidade de Tenochtitlán,
em 1325. Os astecas estabeleceram-se na região de Tenochtitlán a partir da
construção de um templo feito de bambu. A escolha do local para o
estabelecimento dos mexicas ocorreu a partir de uma determinação de sacerdotes,
que avistaram um presságio (sinal enviado pelos deuses): uma águia pousada em
um cacto devorando uma serpente.
Com a fundação e o crescimento de Tenochtitlán, os astecas
desenvolveram relações comerciais com as grandes cidades vizinhas. Eles tinham
também uma notável força militar, além de terem realizado aliança com outras
grandes cidades da região. Surgiu nesse momento uma aliança entre Tenochtitlán, Texcoco e Tlacopan,
a qual ficou conhecida como Tríplice Aliança.
Inicialmente, os astecas estavam submetidos à influência
de Azcapotzalco, cidade dos tepanecas (outro
povo mesoamericano), pagando-lhe impostos. Por volta de 1428, no entanto, as
forças da Tríplice Aliança guerrearam contra os tepanecas, o que resultou na
derrota de Azcapotzalco. O líder da cidade tepaneca, Maxtla, foi sacrificado.
Depois da conquista de Azcapotzalco, os astecas
enriqueceram-se consideravelmente. Por formarem a cidade mais forte da Tríplice
Aliança, eles conseguiram impor a sua ideologia sobre o restante, tornando-se
uma grande força na região. Assim, iniciaram um processo de expansão
territorial, conquistando territórios pertencentes a outros povos.
Sociedade e política
A sociedade asteca era diversa e
consideravelmente hierarquizada, possuindo no auge do seu
poder cerca de 11 milhões de pessoas|1|. Os astecas
exigiam tributos dos povos conquistados, e o pagamento poderia ser feito de
diferentes maneiras: a partir da provisão de alimentos, de joias ou até mesmo
da cessão de escravos para a realização dos sacrifícios.
As classes sociais entre os
astecas eram muito bem identificadas a partir de direitos, privilégios e
vestimentas. No topo da pirâmide social, estava o imperador,
chamado de Huey Tlatoani e considerado um representante do
deus supremo dos astecas, Tezcatlipoca. Os imperadores astecas viviam em uma
condição extremamente luxuosa, mas também eram obrigados a prestar oferendas de
sangue aos deuses e deveriam demonstrar suas habilidades como guerreiros.
Abaixo do imperador, estava a classe social que pode ser
definida como nobreza e que, segundo o historiador
Nicholas J. Saunders, englobava cerca de 10% da população asteca|2|.
Uma parte da nobreza possuía cargos relacionados com a administração do império
e era chamada de tecuhtli. Um grupo inferior de nobres era
conhecido como pipiltin.
Abaixo da nobreza estavam os homens comuns,
conhecidos como macehualtin, grupo que formava a grande massa
social. Os macehualtin poderiam alcançar o status de nobres
se ele se destacasse em algo na sociedade e estavam reunidos em unidades
sociais e políticas conhecidas como calpulli. A estrutura e o
funcionamento do calpulli ainda não foram muito bem esclarecidos pelos
historiadores.
O grupo inferior
da sociedade asteca eram os escravos, conhecidos
como tlacotin. Na sociedade asteca, não se nascia escravo.
Geralmente, eram escravos criminosos condenados ou pessoas endividadas que viam
na escravidão um mecanismo para pagar suas dívidas. O conceito de escravo na
sociedade asteca era diferente do conceito atual, uma vez que os escravos
astecas poderiam acumular posses e constituir família.
Os astecas possuíam uma região politeísta, portanto
acreditavam em mais de um deus. A religião asteca, mas não só ela absorveu
elementos de outras culturas mesoamericanas. Um exemplo da influência de outras
culturas na religião asteca era o deus Quetzacoatl, conhecido
pelos maias como Kukulkán.
Os astecas acreditavam que Tezcatlipoca era
o deus mais poderoso. Outros deuses importantes dos astecas eram Tlaloc,
deus que representava a água e a fertilidade; Quetzacoatl,
versão asteca de uma divindade maia e considerado o deus do aprendizado; Huitzilopochtli,
deus da guerra e o responsável por guiar os astecas até Tenochtitlán.
Religião
Na religião asteca, o sacrifício humano era
algo extremamente importante, pois era uma ferramenta que eles acreditavam ser
necessária para manter os deuses satisfeitos e o sol brilhando. Os sacrifícios
astecas aconteciam a partir da retirada do coração humano. A origem dessa
prática pode estar relacionada com os toltecas, uma vez que existem evidências
desse povo que retratam a prática.
A justificativa para a realização dos sacrifícios pelos
astecas é encontrada nos mitos de fundação desse povo. Segundo esses mitos, o
deus asteca Quetzacoatl ofereceu o próprio coração em um ato de autos
sacrifício. Sendo assim, a realização de sacrifícios humanos era um ato de
dívida aos deuses e uma forma de manter o sol (Tonatiuh) em
funcionamento.
Cultura
Além de tudo que foi citado, a respeito da cultura asteca
podem ser mencionados outros aspectos, como a crença deles no teotl,
uma espécie de ligação existente entre os seres do mundo com as forças do mundo
espiritual. Para os astecas, tudo que existia emanava de certa maneira o teotl.
Os astecas tinham grande apreço pela astronomia,
e essa função fazia parte das obrigações dos sacerdotes. A observação dos
astros trouxe aos astecas grandes conhecimentos, que lhes permitiram formular
dois calendários. O que era utilizado no cotidiano chamava-se xiuhpohualli, e
o segundo, que tinha valor religioso, ficou conhecido como tonalpohualli.
O primeiro calendário apresentava 18 meses de 20 dias mais
5 dias adicionais (considerados dias agourentos), o que totalizava 365 dias. O
segundo possuía 13 meses de 20 dias, totalizando 260 dias. A combinação dos
dois calendários gerava uma data específica diferente durante um período de 52
anos. O final desse período era considerado um período de azar, e seu reinício
era celebrado.
Na organização familiar, os destaques vão para o fato de
existirem parteiras especializadas que eram devotas de Chalchiutlicue, a deusa
da maternidade. As mulheres ficavam na casa de seus pais até por volta dos 15
anos, idade em que geralmente se casavam, enquanto os homens casavam-se por
volta do 20 anos. Os homens astecas só poderiam casar-se com mais de uma mulher
se tivessem condição de sustentá-las, e o adultério na sociedade asteca era
punido com a morte – tanto para homens quanto para as mulheres.
Economia
A economia dos astecas girava em torno, principalmente, do
que a agricultura fornecia. O cultivo agrícola dos astecas era considerado
muito próspero, e os historiadores atribuem isso à técnica de cultivo
utilizada: as chinampas. Nessa técnica, os astecas
desenvolviam ilhas artificiais nos canais do lago Texcoco utilizando material
orgânico do fundo do lago.
A partir delas, eles produziam itens variados, mas o milho
era o principal item cultivado. Os astecas também produziam feijões, pimentas,
tomates, goiabas, mamões etc. Também se alimentavam da carne de perus e peixes,
por exemplo.
Conquista dos astecas
Os astecas existiram como povo e império com poder
centralizado até o ano de 1521. A ruína dos astecas iniciou-se com a chegada dos
espanhóis na região, em 1519. Os
espanhóis eram liderados por Hernán Cortés e encontraram o Império Asteca, à
época governada por Montezuma II, bastante enfraquecido por rebeliões que
aconteciam.
Os espanhóis organizaram um grande exército a partir da
aliança com outros povos, como os tlaxcaltecas, e atacaram a cidade de
Tenochtitlán, conquistando-a em 1521. Com a conquista dos astecas, os espanhóis
foram gradativamente conquistando outros povos da região e implantando as bases
de sua colonização.
Incas
Os incas foram uma
importante civilização
pré-colombiana que desenvolveu um
vasto império na região andina. O Império Inca estendia-se por territórios que
atualmente correspondem à parte da Colômbia até o norte do Chile e Argentina.
Os incas, assim como os astecas, constituíram uma civilização complexa
notabilizada pela construção de um enorme sistema de estradas. Essa civilização
desapareceu a partir da conquista realizada pelos espanhóis no século XVI.
Origens
A região andina, local onde se desenvolveu a Civilização
Inca, era habitada por grupos humanos desde aproximadamente 4.500 a.C. e, antes
dos incas, havia abrigado uma outra grande civilização conhecida como chavín,
em torno de 900 a.C. e 200 a.C. Os incas (chamados de quéchua)
dominavam a região de Cuzco desde, pelo menos, o ano 1000, porém, a partir do
século XV, iniciaram um processo de centralização e conquista territorial.
O surgimento oficial do Império Inca aconteceu, segundo os
historiadores, com o reinado do Sapa Inca (termo em quéchua para
imperador) Pachacuti. Durante seu reinado, os incas
iniciaram a conquista territorial da região andina, processo que foi continuado
por outros imperadores incas.
Os incas conseguiram construir um império territorialmente
muito vasto, que se estendia por mais de 4 mil quilômetros,
desde parte da Colômbia até o norte do Chile e da Argentina. Os povos
conquistados por eles eram obrigados a pagar impostos, e as regiões dominadas
eram integradas ao império por meio da construção de estradas (os incas
possuíram mais de 40 mil quilômetros de estradas), por ordem do Sapa Inca, e
culturalmente absorvidas com o deslocamento de população quéchua para essas
regiões.
O grandioso império dos incas era denominado por eles
próprios de Tawantisuyu (o Império das quatro
direções, em quéchua) e era dividido em quatro grandes províncias chamadas de:
· Chinchasuyu (norte);
· Antisuyu (leste);
· Contisuyu (oeste);
· Collasuyu (sul).
Características dos incas
Os incas construíram um império que era baseado em um
sistema de governo conhecido como teocracia. Nesse
sistema político, o governo sofre forte influência das crenças religiosas. No
caso dos incas, o Sapa Inca era visto como um descendente do sol e, por isso,
possuía poderes irrestritos. Os poderes do Sapa Inca chegavam, inclusive, a
interferir na vida das pessoas e a determinar quando poderiam casar, viajar e
mudar para outras áreas do império etc.
Além da grandiosidade territorial, o Império Inca era
caracterizado pela grande diversidade de povos e de culturas dominadas pelos
incas/quéchuas. Estima-se que o Império Inca possuísse em torno de seis
a dez milhões de habitantes. Nessa vasta população, existiam,
pelo menos, 30 idiomas diferentes.
A base da economia era a agricultura que produzia tudo o
que os incas possuíam. A alimentação baseava-se no milho e na batata, no
entanto, os incas também produziam grandes quantidades de itens como algodão e
pimenta. A fertilidade da agricultura dos incas era resultado do uso de uma
técnica conhecida como curvas de nível.
A produção agrícola era realizada nos ayllus, que
consistiam uma unidade social na qual um grupo de pessoas cultivava um
determinado pedaço de terra. Era dever do ayllu produzir
tudo o que fosse necessário para sua própria sobrevivência, além de pagar os
impostos que eram devidos ao Sapa Inca. Cabia ao chefe do ayllu,
conhecido como kuraka, fazer uma divisão igualitária dos
alimentos produzidos e também auxiliar os membros de seu ayllu que
enfrentassem dificuldades.
Além disso, os incas desenvolveram uma forma de trabalho
compulsório que se chamava mita. A mita determinava que todo trabalhador inca
deveria trabalhar para o estado por um determinado período no ano. Assim,
quando o imperador convocasse, os trabalhadores eram levados para trabalhar nas
obras públicas de construção de estradas, por exemplo.
Decadência dos incas
Os incas, assim como havia acontecido com os astecas, tiveram sua decadência precipitada com a chegada dos
espanhóis. Quando os espanhóis chegaram às terras dos incas, encontraram o
império dividido entre os dois filhos de Huayna Capac, o
último Sapa Inca, que havia morrido por volta de 1525 ou 1527.
Seus filhos, Huáscar e Atahualpa,
disputavam entre si a sucessão do poder e, por isso, travaram uma guerra que
enfraqueceu o império. Os historiadores registraram, por exemplo, o
acontecimento de uma grande batalha em Quito que levou ao aprisionamento de
Huáscar. O conquistador espanhol Francisco Pizarro aproveitou-se
dessa divisão dos incas e realizou a conquista do império.
O domínio dos espanhóis na região prosseguiu de maneira
frágil por algumas décadas e enfrentou diversas rebeliões. A ocupação dos
territórios incas pelos espanhóis levou à colonização daquela região
correspondente ao atual Peru e ao surgimento do Vice-Reino do Peru.
Atividade de aplicação: págs.
226 a 232.
Comentários
Postar um comentário