7º Ano - Contrarreforma


Contra Reforma
A Contrarreforma, de modo geral, consistiu em um conjunto de medidas tomadas pela Igreja Católica com o surgimento das religiões protestantes. Longe de promover mudanças estruturais nas doutrinas e práticas do catolicismo, a Contrarreforma estabeleceu um conjunto de medidas que atuou em duas vias: atuando contra outras denominações religiosas e promovendo meios de expansão da fé católica.

       Uma das principais medidas tomadas foi a criação da Companhia de Jesus. Designados como um braço da Igreja, os jesuítas deveriam expandir o catolicismo ao redor do mundo. Contando com uma estrutura hierárquica rígida, os jesuítas foram os principais responsáveis pelo processo de catequização das populações dos continentes americano e asiático. Utilizando um sistema de rotinas e celebrações religiosas regulares, a Companhia de Jesus conseguiu converter um grande número de pessoas nos territórios coloniais europeus.

      A Inquisição, instaurada pelo Tribunal do Santo Oficio, outra instituição eclesiástica criada na Contrarreforma, teve como principal função combater o desvio dos fiéis católicos e a expansão de outras denominações religiosas. Além de perseguir protestantes, a Santa Inquisição também combateu judeus e islâmicos, que eram considerados pecadores e infiéis. Entre outras formas, a Inquisição atuava com a abertura de processos de investigação que acatavam denúncias contra hereges e praticantes de bruxaria. Caso fossem comprovadas as denúncias, o acusado era punido com sanções que iam desde o voto de silêncio até a morte na fogueira.

     Em 1542, o Concílio de Trento, uma reunião dos principais líderes da Igreja organizada pelo papa Paulo III, selou o conjunto de medidas tomadas pela Contrarreforma. No Concílio de Trento estabeleceu-se o princípio de infabilidade papal e a declaração do Índex, conjunto de livros proibidos pela Igreja. Além disso, a Vulgata foi estabelecida como versão oficial da Bíblia Sagrada, foi proibida a venda de indulgências e todas as doutrinas católicas foram reafirmadas.

Tribunais dos Santos Ofícios
Inquisição foi um movimento político-religioso que ocorreu entre os séculos XII ao XVIII na Europa e nas Américas.
O objetivo era buscar o arrependimento daqueles considerados hereges pela Igreja e condenar as teorias contrárias aos dogmas do cristianismo.

Santa Inquisição

À medida que a Igreja Católica conquistava mais adeptos durante a Idade Média, houve a necessidade de normatizar a prática da religião.
Desta maneira, criou-se uma instituição com autonomia para investigar e julgar pessoas acusadas de heresia, baseado no sistema jurídico da Igreja Católica Romana.
A palavra “heresia” vem do grego e quer dizer escolha. Portanto, o herege era um fiel cristão que fazia uma escolha contrária ao que afirmava a doutrina.
Muitos estudiosos consideram o herege como um “revolucionário”, pois ele defendia suas ideias, mesmo correndo o risco de ser condenado à pena de morte.
Para a Igreja, o herege era um pecador e por isso, deveria ser salvo a todo custo. Assim, a Inquisição visava, sobretudo, o arrependimento do pecador, desta maneira, é chamada pela Igreja de "Santa".
Igualmente, a Inquisição foi utilizada como uma ferramenta de controle pelos poderes régios. Alguns soberanos aproveitavam para se defazer dos inimigos através da Inquisição.
Por isso, ela teve lugar especial em nações como França, Espanha, Portugal e Itália, bem como nas colônias da América espanhola e portuguesa.

Tribunal do Santo Ofício

A Inquisição possui suas origens no Direito Romano no qual a Igreja utilizou para compor o Tribunal do Santo Ofício.
Em 1183, o primeiro tribunal é utilizado no sul da França para combater o sectarismo religioso dos cátaros de Albi.
Os cátaros eram uma seita que pregavam que o mundo material era intrinsecamente mal e deveria ser destruído. Desta maneira, estimulavam o suicídio e o aborto, além da destruição da matéria e a negação dos prazeres.
O Tribunal do Santo Ofício foi instituído pelo Papa Gregório IX, em 1233, com o intuito de investigar as heresias dos cátaros, também chamados de albigenses.
O pontífice entregou o funcionamento do Tribunal à Ordem Dominicana, criada por são Domingos.
Quando a Cruzada contra os Albigenses (1209-1244) terminou, foi instalado um Tribunal do Santo Ofício justamente para decidir quem era culpado ou inocente individualmente.
Os Tribunais do Santo Ofício tinham as seguintes características:
·                       Eram instituídos com um objetivo específico;
·                       Estavam autorizados a funcionar pelo Papa ou pelo Bispo;
·                       Compostos por religiosos com estudos teológicos.
Em 1376 é escrito o “Manual dos Inquisidores”, por Nicolas Eymerich, um religioso dominicano. Neste livro, ele descrevia os métodos que os inquisidores deviam usar para descobrir heresias e bruxarias.
Ele condena, por exemplo, o uso da tortura para arrancar uma confissão e a obra se tornou uma referência para padronizar a ação Inquisitorial.

Inquisição Espanhola

A partir do casamento de Isabel de Castela e Fernando de Aragão, em 1478, os dois maiores reinos hispânicos se unem. Esses soberanos vão utilizar a Inquisição para perseguir seus inimigos.
Neste período, milhares de judeus e mouros deveriam escolher entre serem convertidos ao cristianismo, renegando suas crenças ou abandonar o país. Aqueles que se converteram foram chamados de cristãos-novos.
Mesmo assim, vários continuaram a praticar secretamente a sua religião. Por isso, foi instalado um Tribunal do Santo Ofício para verificar se as conversões haviam sido sinceras. Há um mito que a Inquisição espanhola teria matado milhares de pessoas. Pesquisas recentes, contudo, revelam que a Inquisição na Espanha, entre 1540 e 1700, realizou 44.674 juízos. Destes, apenas 1,8% (804 pessoas) foram condenadas à pena capital.
Com intuito similar, foi criada a Inquisição portuguesa em 1536.



Inquisição Protestante

Na Idade Moderna, quando houve a ruptura entre a Igreja Católica e Lutero, as regiões conquistadas pelos protestantes também sofreram a Inquisição.
É preciso alertar que o termo “inquisição protestante” é usado para ilustrar a perseguição que CalvinoLutero, ou Zwglio empreenderam aos católicos, cientistas e humanistas. Mas eles mesmos não a chamavam assim.
Desta maneira, as principais vítimas da perseguição protestante foram os católicos que se recusaram a se converter ao protestantismo. Também foram condenadas pessoas acusadas de adultério, bruxaria e seitas como a dos anabatistas.
No Reino Unido, vários grupos que não aceitaram o Anglicanismo, imigraram para uma das 13 Colônias, a fim de continuar a praticar sua religião.
Mesmo assim, a “inquisição protestante” chegou às colônias inglesas lideradas por pastores e religiosos que dirigiam essas comunidades.
É preciso lembrar que os tribunais da Inquisição eram temporários e surgiam conforme a necessidade de julgar casos de heresia. Muitas vezes, os acusados eram encontrados “aleatoriamente” e condenados apenas para servirem de exemplo. Ademais, eram convocados a prestar depoimento aos inquisidores a partir de denúncias de terceiros ou da simples suspeita.
Os julgamentos contavam com a presença de um jurista e um teólogo e perseguiam principalmente judeus, mouros, feiticeiras, filósofos, cientistas e místicos.
Uma pessoa podia ser acusada de:
·                       Heresia - doutrinas ou práticas contrárias aos dogmas católicos;
·                       Bruxaria - invocação de espíritos malignos, conjuros, curas por ervas consideradas malignas;
·                       Continuar a manter costumes das religiões judaica ou muçulmana.
A punição da heresia era feita no âmbito espiritual e temporal. Para os condenados, as penas poderiam ser a prisão (temporária ou perpétua), uso de vestes que revelavam sua condição de condenados (sambenitos) ou, em casos extremos, a morte na fogueira.
É importante ressaltar que o Tribunal do Santo Ofício não executava as penas. Uma vez que a sentença era ditada, o réu era entregue ao poder secular para ser castigado. Naquela época, o crime espiritual era considerado de lesa-majestade e por isso, deveria ser punido também pelo poder civil.
Em 1559 é criada a lista dos livros proibidos (Index Librorum Prohibitorum), pela qual diversas obras filosóficas e científicas são consideradas impróprias. Deste modo, seus criadores e leitores poderiam ser perseguidos pela Inquisição.

Principais Métodos de Tortura da Inquisição

Um dos fatos mais marcantes da Inquisição foi o uso da tortura enquanto método de investigação.
Contudo, ao contrário do que se pensa, aproximadamente 10% dos julgamentos envolveram tortura física e não mais do que 2% dos acusados foram condenados à pena capital. Lembrando que torturas e execuções eram comuns nos tribunais seculares.
Alguns dos métodos de tortura utilizados pela Inquisição foram:
·                       Tortura d’água: o réu é imobilizado de barriga para cima em uma mesa e é forçado a beber vários litros de água por um funil.
·                       Potro: o acusado é posto em uma cama ou esteira e seus membros são amarrados com cordas, nas quais uma haste fixada é usada como torniquete para pressionar e causar dor.
·                       Roda: o suspeito é amarrado em uma roda posicionada sobre um braseiro ou várias farpas cortantes.
·                       Pêndulo: o incriminado é preso pelas extremidades de seu corpo, suspenso alguns metros e largado bruscamente.
·                       Polé: a vítima é amarrada pelas extremidades de seu corpo, o qual é esticado até romper os ligamentos.

Curiosidades

·                       Galileu Galilei foi perseguido pela Inquisição por afirmar a teoria do heliocentrismo, mas foi absolvido.
·                       Giordano Bruno, o pai da filosofia moderna, e Joana D’Arc foram julgados pela Inquisição e condenados pela justiça secular à morte na fogueira.
·                       Em 1904, a Igreja Católica determina que o Tribunal do Santo Ofício seja chamado de "Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício". Mais tarde, em 1965, recebe o nome de Congregação para a Doutrina da Fé.
Os Jesuítas
Os jesuítas eram padres que pertenciam à Companhia de Jesus, uma ordem religiosa vinculada à Igreja Católica que tinha como objetivo a pregação do evangelho pelo mundo. Essa ordem religiosa foi criada em 1534 pelo padre Inácio de Loyola e foi oficialmente reconhecida pela Igreja a partir do papa Paulo III em 1540.
A proposta dos padres jesuítas para a divulgação do cristianismo era baseada no ensino da catequese. Eles atuaram em diversas partes do mundo e destacaram-se no Brasil colonial. Na Europa, os jesuítas surgiram como parte do movimento de contrarreforma e, portanto, tinham como importante missão impedir o crescimento do protestantismo.

Jesuítas no Brasil

Os primeiros jesuítas que vieram ao Brasil chegaram com o primeiro governador-geral da colônia, Tomé de Sousa, em 1549. Eles eram liderados por Manuel da Nóbrega e tinham como principal missão a cristianização dos nativos e zelar pela Igreja instalada no Brasil colonial. Os jesuítas construíram locais chamados missões, onde combinavam a catequese dos nativos com a sua utilização como mão de obra para a produção de tudo o que a missão precisasse.
Para que exercessem seu trabalho na colônia, inicialmente, foi necessário criar uma comunicação com os nativos, uma vez que esses falavam tupi e os jesuítas falavam português. Assim, o padre José de Anchieta desenvolveu um manual que auxiliava na comunicação dos jesuítas com os nativos. Nesse período da história brasileira, o idioma mais comum existente aqui era a Língua Geral, que mesclava elementos do português com idiomas nativos.
Além disso, os jesuítas tiveram um importante papel educacional no Brasil, pois, além da catequese aos nativos, eles educavam os filhos dos colonos. Para que isso fosse possível, esses padres criaram colégios em diversas partes do Brasil, como aconteceu na cidade de Salvador e em São Paulo de Piratininga (atual cidade de São Paulo). A respeito dos colégios dos jesuítas, o historiador Ronaldo Vainfas afirma:
Os colégios inacianos espalharam-se por todos os continentes, atravessando os sete mares. Formavam professores, intelectuais e missionários. Dominavam o ensino em várias universidades, como a de Coimbra, consolidando a neoescolástica, com ênfase no estudo filosófico e teológico|1|.
Outra função importante dos jesuítas foi na pacificação dos povos indígenas, pois, por meio de suas missões, conseguiram ter grande contato com esses povos. Assim, os jesuítas realizavam a catequese dos povos nativos, além de realizarem uma tentativa de aculturação ao tentar assimilar o nativo a um modo de vida europeu.
Os jesuítas também enfrentaram inúmeros conflitos com os colonos que escravizavam indígenas durante os séculos XVI e XVII. A ação dos jesuítas em proteger os nativos da escravização levou a Coroa a determinar leis que permitiam a escravização dos indígenas somente em casos de “guerra justa”, ou seja, quando os nativos atacavam algum português. Sobre isso, o historiador Ronaldo Vainfas afirma:
Obstáculo maior enfrentado pela Companhia foi a avidez dos colonos em escravizar os nativos. Os jesuítas resistiram em toda parte, sobretudo no século XVII, arrancando da Coroa leis proibitivas do cativeiro indígena. Os colonos, por sua vez, sempre pressionaram pelo direito de apresar os índios em “guerra justa”, isto é, em suposta represália a índios hostis.
Em 1640, colonos do Rio de Janeiro cercaram o colégio do morro do Castelo acusando os jesuítas de mentores de nova lei proibitiva do cativeiro. Foi a “Botada fora dos padres”, que só não foram mortos graças à intervenção do governador Salvador Correia de Sá e Benevides. No mesmo ano, foram expulsos de São Paulo, só regressando em 1653|2|.
Com o passar do tempo, os atritos dos jesuítas não se restringiram aos colonos, pois logo entraram em conflito com a Coroa após a Guerra Guaranítica, onde jesuítas e indígenas guaranis confrontaram tropas portuguesas pelo controle da missão Sete Povos das Missões, no atual Rio Grande do Sul. Além disso, o grande poder econômico desses religiosos despertou a cobiça da Coroa portuguesa e, assim, em 1759, os jesuítas foram expulsos de Portugal e de todas as suas colônias.

Vídeos Aulas:
https://youtu.be/bfK-FXHftmA Contrarreforma Protestante I
https://youtu.be/HnmzdAKtaqY Contrarreforma Protestante II

Atividades aplicadas: págs. 177 a 1778.

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