7º Ano - Os questionamentos as estruturas eclesiásticas


Reformas Protestantes
Introdução:
Como foi visto nos módulos anteriores de nosso material e debates em sala de aula, durante as formações das primeiras coroas nacionais que foram iniciadas no final do sistema feudal, isto primeiramente na península Ibérica com os efeitos das guerras de reconquistas pelos cristãos, levando em consideração que o território estava controlado pelos Mouros (Mulçumanos), fato que resultou a formação de Portugal e a Espanha, consolidando suas bases para as navegações e a conquista da América e de outras áreas do globo.
A consolidação destas coroas nacionais só foi possível com alianças entre a nobreza e a burguesia, que organizaram o mercantilismo e suas ferramentas para que estes se libertassem das amarras do sistema feudal e assim dando inicio ao Capitalismo Comercial em quase toda a Europa, pois diversos valores  continuavam sendo impostos a sociedade pela Igreja Católica, fato que dificultava o desenvolvimento da economia e o comércio, fato que logo seria combatido  por grupos de religiosos, burgueses e nobres que pretendiam se libertar destes grilhões da superstição.
Pré Reforma e o controle da mentalidade
A Igreja Católica foi à instituição mais influente após a queda do Império Romano na Europa, assim esta determinava o que a sociedade poderia questionar sobre sua realidade, fato que também era aplicado na economia, pois as outras ferramentas de imposição de sua mentalidade já debateram nos capítulos de “Renascimento Cultural e Científico”, mas isto não significava uma grande abertura para a burguesia que era impedida de acumular riqueza por conta da usura, pecado de se emprestar dinheiro a juros, fato que vai começar a ser combatida nesta nova realidade.
As cruzadas abriram uma nova possibilidade de comércio, pois mesmo os europeus saindo derrotados deste episodio, as portas para os produtos de luxo vindos do Oriente vão gerar grandes famílias de comerciantes o enriquecimento nunca visto até então, fato visto nos “mecenas” que financiavam os artistas e cientistas que iniciaram o Humanismo, Heliocentrismo e o Antropocentrismo.
Outro ponto fundamental para entender este período é em relação da Burguesia Mercantil buscava se libertar das amarras para o acumulo de acumulo de riqueza imposto pela Usura, assim além de questionar este fato, os mesmo começam a apoiar príncipes locais que são simpatizantes a sua causa, assim surgindo os movimentos de questionamento de certos dogmas impostos pela Igreja, dando as bases para o Movimento Protestante.
Reforma Luterana
Reforma Protestante é o nome dado ao movimento reformista que surgiu no cristianismo no século XVI. Esse movimento iniciou-se a partir de Martinho Lutero, um monge católico que estava insatisfeito com algumas práticas e questões teológicas defendidas pela Igreja Católica. A atuação de Lutero teve como ponto de partida a divulgação das 95 teses, que rapidamente espalharam-se pela Europa e deram origem ao reformismo no seio da Igreja Católica. Da atuação de Lutero, surgiu o protestantismo.

Causas da Reforma Protestante

A Reforma Protestante teve causas relacionadas a aspectos políticoseconômicos e teológicos e resultou da corrupção existente na Igreja Católica. Além disso, teve resultado de interesses políticos oriundos de nobres que viram na reforma uma possibilidade de romper o vínculo de autoridade com o papa. Por fim, foi imposta a questão dos interesses econômicos, uma vez que a Igreja estipulava a cobrança de impostos de todos seus fiéis.
No aspecto teológico, o ponto imediato a ser destacado é a insatisfação de Martinho Lutero com as práticas da Igreja Católica. A Igreja de Roma era, naquele período, a maior autoridade da Europa Ocidental e detinha um imenso poder, uma vez que era dona de terras e riquezas gigantescas.
Além disso, a autoridade do papa impunha-se além do campo religioso, alcançando o campo secular (político). Os reis da Europa tinham seu poder sustentado pela autoridade da Igreja, uma vez que era praticamente impossível manter-se no comando sem a aprovação do papa. Sendo assim, a Igreja Católica possuía o monopólio da vida política e religiosa europeia.
Focando no aspecto teológico, muitos começaram a questionar as posições da Igreja. Antes mesmo de Lutero, já haviam existido na Europa movimentos religiosos e figuras do clero católico que questionavam determinados princípios do catolicismo. Em longo prazo, pode-se ressaltar, por exemplo, os valdenses, que surgiram na França no final do século XII.
Em um período imediato, isto é, poucos anos antes do início da reforma, existiram os pré-reformadores na Europa, que teceram críticas à Igreja de Roma. Dois nomes que se destacaram nesse contexto foram John Wycliffe e Jan Hus. O primeiro criticava o acúmulo de poder político e os desvios da Igreja dos verdadeiros ensinamentos de Jesus. O segundo tecia críticas parecidas contra o enriquecimento da Igreja e a venda de indulgências.
Em relação às questões políticas, existia uma série de reis, nobres e autoridades em geral que estavam interessados em romper o poder secular com o religioso. Isso significa que muitos viam o rompimento como uma forma de consolidar ou de assegurar mais poder sem a necessidade de ter que se sujeitar a outra autoridade – no caso, o papa.
Nas questões econômicas, há de se destacar que, na região norte da Europa, havia uma insatisfação muito grande com a quantidade de impostos que deveriam ser repassados para a Igreja. Tal questão intensificava-se em um contexto em que as penínsulas Itálica e Ibérica estavam em franco desenvolvimento e enriquecimento, enquanto regiões como a que corresponde à atual Alemanha eram pobres e enfrentavam dificuldades econômicas.


Martinho Lutero

A insatisfação e as críticas à Igreja Católica tiveram seu ápice em Martinho Lutero, monge agostiniano e professor de Teologia. Lutero estava insatisfeito com certas condutas da Igreja, sobretudo com as indulgências, que eram comuns na Igreja Católica da época. Nesse contexto, essa prática acontecia por meio dos dízimos feitos pelos fiéis para a Igreja em troca do perdão de seus pecados.
Além disso, o papa Leão X havia oferecido indulgências para aqueles que contribuíssem com dinheiro para a construção da Basílica de São Pedro. Lutero tinha também discordâncias de conteúdo teológico a respeito da salvação e de outras práticas e ações da Igreja. Com isso, o monge elaborou um documento conhecido como 95 teses.
A partir de então, as ideias de Lutero espalharam-se pela Europa com rapidez. Nesse momento, a intenção de Lutero não era romper com a Igreja Católica, ele queria apenas que se realizasse uma reforma em determinadas questões. O rompimento de Lutero com a Igreja Católica só aconteceu quando foi excomungado pelo papa, em 1521.

 

 

95 teses

As 95 teses, documento no qual Lutero manifestava sua oposição teológica às práticas da Igreja de Roma, foram enviadas para o arcebispo de Mainz, Alberto de Brandemburgo, em 31 de outubro de 1517. A intenção de Lutero era levantar um debate para que reformas dentro da Igreja acontecessem.
Martinho Lutero defendia, basicamente, que a Bíblia era a única referência para os fiéis e que as pessoas conseguiriam ser salvas sem a mediação de intermediários e sem precisar dar indulgências. A base teológica de Lutero baseava-se em um versículo bíblico que afirmava que “o justo viverá pela fé”. Aqui, Lutero passou a defender a ideia de que não eram as boas ações que salvariam uma pessoa, mas sim a fé.
A construção teológica iniciada por Martinho Lutero deu origem a um princípio conhecido como Cinco Solas:
1. Sola fide (somente a fé)
2. Sola scriptura (somente a Escritura)
3. Solus Christus (somente Cristo)
4. Sola gratia (somente a graça)
5. Soli Deo gloria (glória somente a Deus)
As 95 teses espalharam-se com rapidez pela Europa por conta da imprensa (criada em 1430 por Johann Gutenberg), a qual permitia a cópia e a impressão de livros em uma velocidade inédita para a época. Com isso, as ideias de Lutero propagaram-se e conquistaram seguidores em toda a Europa.
Um registro importante é a famosa imagem de Martinho Lutero pregando as 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg. Muitos consideram esse o ponto de partida da Reforma Protestante, mas os historiadores nunca conseguiram comprovar se esse episódio de fato aconteceu. Portanto, os historiadores consideram esse fato somente uma lenda.

 

Primeiros reformadores da Reforma Protestante

Antes de Lutero, já havia casos de cristãos que contestaram princípios e práticas da Igreja Católica. No século XII, a partir das pregações de Pedro Valdo, surgiram na França os valdenses, que se espalharam pelo norte da Itália, sobrevivendo às perseguições da Igreja Católica.
No caso específico da pré-reforma, os historiadores destacam Jan Hus e John Wycliff, que questionavam a riqueza da Igreja, a acumulação de poder temporal e a corrupção existente no clero. Caso tenha interesse em ampliar seus conhecimentos a respeito desses precursores da Reforma Protestante, sugerimos a leitura deste texto.

 

Protestantismo

Da atuação de Martinho Lutero, surgiu o protestantismo, vertente do cristianismo que rompeu com a Igreja Católica. Como citado, o rompimento de Lutero com a Igreja Católica aconteceu a partir do momento em que foi excomungado e passou a ser perseguido por ela.
As ideias de Lutero espelharam-se pela Europa, resultando na conversão de milhares de pessoas e no surgimento de outros reformadores, como João Calvino. Com isso, o protestantismo foi consolidando-se como vertente religiosa, e dele nasceram diversas igrejas e denominações protestantes.
Atualmente, existem várias denominações cristãs oriundas do protestantismo, como os batistas, os presbiterianos, os metodistas, os luteranos, os calvinistas, os anglicanos, etc. No Brasil, mais de 20% da população identifica-se como “evangélica”, denominação que agrupa igrejas teologicamente nascidas do protestantismo.
Vídeo aula: https://youtu.be/QkheKbaDZGs
Fonte: https://www.historiadomundo.com.br/idade-moderna/reforma-protestante.htm
Reforma Calvinista
O Calvinismo é um movimento protestante conduzido no século XVI por João Calvino, um estudioso francês que ao se converter ao Protestantismo em 1533, propaga a sua crença teológica dando continuidade à Reforma Protestante então iniciada em 1517 por Martinho Lutero.
O Calvinismo foi influenciado pelo Luteranismo. Calvino era ainda criança quando a Reforma Protestante teve início, mas se tornou um defensor do movimento despoletado por Lutero e, por isso, foi perseguido por ocasião da Inquisição.

 

Os Cinco Pontos do Calvinismo

Existem cinco pontos que podem ser destacados como as principais caraterísticas do Calvinismo. TULIP é o seu acróstico e, por esse motivo, a tulipa pode ser considerada o símbolo do movimento calvinista.
T-otal Depravity (Depravação Total)
O homem nasceu com o pecado original, herança de Adão e Eva. Na condição de pecador, somente pode ser salvo se Deus assim o quiser.
U-nconditional Election (Eleição Incondicional)
Deus escolhe quem ele quer salvar. Não são as pessoas, pelas boas ações durante a vida que alcançam a salvação e, sim, Deus, elege os homens que levará para o céu.
L-imited Atonement (Expiação Limitada)
Deus não morreu na cruz para expiar ou salvar toda a humanidade, mas para salvar os escolhidos, os seus eleitos.
I-rresistible Grace (Graça Irresistível)
Desde que seja chamado por Deus, ninguém pode negar o seu chamado, porque esse é irresistível.

O Calvinismo e o Capitalismo
Calvino acreditava que as classes sociais representavam a escolha de Deus para a salvação. As pessoas bem sucedidas eram apontadas como os eleitos, a quem Deus levaria para o céu, em contraste com os pobres e miseráveis, que viviam nessa condição por não estarem entre os escolhidos.

Reforma Anglicana

A reforma anglicana está inserida no contexto da chamada reforma religiosa (século XVI). A ruptura de caráter político em relação à Igreja Católica esteve entre os grandes acontecimentos do início da Idade Moderna e foi uma das marcas deixadas pelo monarca absoluto, representante da dinastia Tudor, Henrique VIII. Vejamos a seguir os principais acontecimentos que motivaram o surgimento dessa religião.
Antecedentes da reforma anglicana
Henrique VIII herdou o trono da Inglaterra após a morte de seu pai, Henrique VII, sendo coroado em 1509. Almejava governar com poderes absolutos, sem a interferência da Igreja Católica no território inglês.
Henrique VIII era casado com Catarina de Aragão (princesa da Espanha), que já havia sido casada com o irmão mais velho de Henrique VIII, Artur, Príncipe de Gales. O irmão de Henrique VIII teria morrido sem consumar o casamento, motivo alegado pelo monarca inglês para conseguir aprovação da Igreja e casar-se com a princesa espanhola.
Henrique VIII desejava ter um filho para sucedê-lo no trono e acusava Catarina de negar-lhe esse desejo. Utilizando-se desse argumento, começou um relacionamento amoroso com uma inglesa, dama de sua esposa, Ana Bolena.
No ano de 1527, o rei absoluto inglês pediu ao papa Clemente VII que concedesse o divórcio com Catarina de Aragão, visando casar-se com Ana Bolena. Entre os motivos alegados, foi o de que seu irmão, Artur, havia consumado o casamento com sua atual esposa.
Conceder o divórcio a Henrique VIII significaria, para o Papa, virar as costas para a Espanha, que era predominantemente cristã. Diante disso, o divórcio foi negado.


O ato de supremacia
A recusa do divórcio com Catarina de Aragão era o pretexto que Henrique VIII esperava para poder alcançar seu principal objetivo, que seria o de romper com a Igreja Católica e ampliar seus poderes políticos e religiosos na Inglaterra.
Blainey (2012) afirma que:
“a disputa resultou na excomunhão de Henrique VIII. Assim, com a aprovação do Parlamento inglês, convocado depois de longo recesso, ele se nomeou ‘chefe supremo da Igreja’ na Inglaterra e, aos poucos, confiscou as propriedades e os direitos do papa”.
O ato do parlamento em conceder amplo poderes a Henrique VIII após o rompimento com a Igreja Católica ficou conhecido como Ato de Supremacia (1534).
Após o divórcio com Catarina de Aragão e o casamento com Ana Bolena, Henrique VIII casou-se com mais quatro mulheres, sendo elas: Jane Seymour; Ana de Cleves; Catarina Howard e Catarina Parr.
As consequências da reforma anglicana
A reforma anglicana proporcionou a Henrique VIII o confisco de terras eclesiásticas e a ampliação de seu poder real. “Com a morte de Henrique, caberia à sua filha, a rainha Elizabeth I (1558-1603), a tarefa de consolidar o anglicanismo como religião oficial da Inglaterra” (AZEVEDO; SERIACOPI, 2008).
Por ser uma ruptura mais política que religiosas muitas igrejas Anglicanas passaram a ter um rito e doutrina muito semelhante ao da Igreja Católica, sendo considerada por muitos como a reforma menos protestante de todas.
Contudo, os desdobramentos dessa reforma religiosa, juntamente com as reformas luterana e calvinista, levaram a Igreja Católica a realizar um movimento que ficou conhecido como Contrarreforma.

Atividades de aplicação:  pags.172 a175

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