8º Ano - O conceito de trabalho
O trabalho é definido
por Karl Marx como a atividade sobre a qual o ser
humano emprega sua força para produzir os meios para o seu sustento.
Ao olharmos para períodos históricos anteriores ao nosso
– o período medieval, por exemplo –, vemos que o trabalho rural era a principal
forma de labor do período. A produção de alimentos ou de outros bens de consumo
estava relacionada com a necessidade daqueles que o produziam. Isso quer dizer
que o homem agrário não produzia em função de lucro
ou de moeda corrente, mas para consumo próprio. O comércio reduzia-se a formas
rudimentares de troca de produtos produzidos por outros trabalhadores, assim, o
trabalhador mantinha contato direto com o que produzia. Tratava-se de uma relação
próxima entre produto, produção e consumo.
A relação entre trabalho e subsistência, ou
sobrevivência, era íntima e direta. Foi por essa razão que Marx definiu a força
de trabalho como o bem “inalienável” do ser humano.
A partir dessa perspectiva, o trabalho seria o bem mais importante do homem e
aliená-lo, isto é, transferir o direito de proveito dos frutos desse trabalho
para outra pessoa, seria o mesmo que alienar o direito à própria vida.
Com a Revolução
Industrial, houve uma grande mudança nas
relações sociais e nas relações de trabalho do indivíduo, que até então vivia
ligado diretamente à terra. O surgimento das cidades e o eventual êxodo rural deslocaram o indivíduo que dependia da terra para a sua
sobrevivência para os centros urbanos. Segundo Marx, como esse novo homem
urbano perdeu seu acesso à terra, surgiu uma classe de trabalhadores que
deveria vender sua força de trabalho.
Para Marx, existe uma diferença histórica entre as relações de produção capitalistas e as
relações de produção pré-capitalistas. A forma de produção capitalista
caracteriza-se pela impessoalidade do trabalhador com o que produz, isto é, ele
não possui nenhum envolvimento pessoal com o que está produzindo, pois não
encabeça todo o processo de produção. Nas relações de produção
pré-capitalistas, o produto do trabalho estava intimamente associado ao
trabalhador, que era o mentor de toda a cadeia produtiva. Essa diferença,
segundo Marx, é a que rege as relações de trabalho dentro de uma sociedade
capitalista, na qual o trabalhador que não dispõe dos meios de produção para
produzir o que necessita para sobreviver passa a vender à única “mercadoria”
que tem: sua força de trabalho.
Essa nova forma de se relacionar com o trabalho
transforma as relações sociais em todos os aspectos. O sujeito, antes
intimamente ligado ao seu labor, agora se vê desconectado do que produz, nunca
colhendo os frutos de seu trabalho. Esse trabalho, por sua vez, agora é
comprado por um salário, que, na maior parte das vezes, é suficiente apenas
para que se mantenha vivo.
Atividades
de aplicação: págs. 262.
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